domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cápsulas diárias de amor

Sem nenhuma dúvida o Exodus e o Rivotril ajudam na síndrome do pânico, mas o melhor remédio é composto de paciência, compreensão e amor. E tenho encontrado tudo isso no meu marido. Acrescente-se o fato do meu desemprego e ele estar se sacrificando sozinho.

Não sei como poderei retribuir tudo o que ele está fazendo por mim. Todas suas tentativas de me animar, de me levar passear... cujo sucesso é pequeno, mas ele não me força nem desiste de me trazer de volta a vida normal.

Toda sua paciência com minhas crises de choro, quando me sinto derrotada, sem esperança, com meu mau-humor (o normal mais o agravado pela crise), meu nervosismo... acho que ele já perdeu a conta de quantas vezes ouviu de mim “estou com medo de morrer”...rs

Estou encantada com ele, e gostaria que soubesse que sempre estarei do seu lado, para o que precisar, que serei eternamente grata por tudo que tem feito por mim, que o admiro muito, que tenho orgulho de ser sua esposa e de ter seu nome agregado ao meu.

Eu farei o que puder para me livrar dessa síndrome do pânico, e vou conseguir, vou voltar ao normal, trabalhar, rir, passear... e todas as minhas vitórias serão dedicadas a ele, o meu único e grande amor, responsável por me curar com seu amor!!!

Solidão

Sentir-se só é relativo. Podemos nos sentir só estando rodeado de pessoas; podemos nos sentir só por opção, por nos excluirmos por vontade própria do convívio social; podemos não nos sentir só, mesmo não tendo ninguém por perto.

Porém, confundo, às vezes, o “sentir só”, com o “vazio”.

Uma amiga me perguntou se a síndrome do pânico não seria por eu estar me sentindo sozinha, por ter mudado há pouco tempo de cidade. Não sei, mas acho que o que desencadeou foi a sensação de fracasso profissional.

Entro numa empresa como se fosse uma jovem sonhadora num casamento arranjado, naqueles filmes de época. Nunca penso em separação, mas em união eterna. E dou tudo no trabalho para isso, me dedico ao extremo, chego antes, saio depois, comprometo horário de almoço, e por conseqüência, minha saúde, compro livros, faço pesquisas, me aprofundo no assunto, enfim...

Como a jovem sonhadora que se depara com a realidade do seu casamento não ser o esperado: ela é a única a se dedicar integralmente, sem ter uma retribuição por isso. E pior, descobre estar sendo traída, mas releva, na esperança de que isso passará. Assim, demoro para enxergar a realidade, pois a minha é mais agradável.

Dessa maneira, quando vi, meu casamento profissional já não tinha como ser recuperado; todos os planos, o amor pela empresa, foram por água abaixo. Traição? Falta de reconhecimento? Demorou, mas cheguei à conclusão que a dedicação atrai mais a atenção de “colegas” de trabalho não tão competentes do que dos chefes... Antes que a sua estrela brilhe aos olhos dos chefes, há uma legião de infelizes a ofuscar e impedir que sua luz se propague. E esses, estão mais perto do que se imagina.

Bom, em todo caso, como não durou eternamente meu casamento profissional, me senti fracassada por isso... mudei minha vida e de meu marido, e isso acho que foi em grande parte responsável pelo pânico: a culpa.

Aliás, a solidão de que comecei a falar vem, em parte, da vontade de se isolar que a SP provoca. Por não estar trabalhando, sinto como se eu não tivesse assunto para conversar, não há também a vida social entre colegas de trabalho... Sem contar que tenho vergonha de não estar trabalhando, e sempre enfrento essa pergunta.

Como meus amigos estão em outra cidade, eu sinto, equivocadamente, como se tivesse que buscar novos amigos, e isso a essa altura da minha vida não é animador. Mas é necessário, ninguém vive sozinho.

De qualquer forma, pela minha saúde, decidi adotar a nova cidade, conquistar novos amigos (ou colegas, pelo menos) e (tentar) trazer os amigos e parentes para nos visitar. E essa tarefa nem sempre é fácil...





quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Comeração


Nem só de lamentos deve ser composto este blog!!!

Quero comemorar e compartilhar cada avanço; mesmo que pequeno, para mim é uma vitória!

Ontem consegui fazer algumas coisas que me faziam mal, e nem sinal de crise!!! Fui ao supermercado, sai de carro sem ser com meu marido e não fiquei nervosa, e à noite, pasmem: fui ao shopping ( = multidão), debaixo da maior chuva, e não passei mal... até comi um lanchinho com meu marido, com tranqüilidade!!! E olha que quase bateram no carro duas vezes...rs...
                                                                                                           
Atribuo isso à luz especial que minha casa ganhou ontem, com a visita de um anjinho, do bebê mais fofo do mundo! Baba, tia...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quem é essa pessoa que está tomando meu lugar?!

Algumas reações minha mudaram após a síndrome do pânico. Leio muitos artigos na internet, e cheguei à conclusão de que a minha resistência, ante qualquer tipo de problema, é mínima. Seja uma coisinha sem importância ou maior. Eu surto mesmo.

Se eu não estiver bem, avisar ao meu marido isso, para irmos embora, e ele vier com a clássica resposta "nós já vamos", é crise na certa. E ele já sabe disso. Quando não desencadeia a crise,pode surgir um desconforto ou o que eu chamei de mini crise (um início, ou apenas alguns sintomas da crise).

Ontem deparei-me com um dos meus mais novos monstros: o supermercado! Logo eu, que sempre gostei, não me importava se estava cheio, se tinha fila... Percebi que um dos problemas que gera o mal estar é o calor dentro do supermercado, com um ar condicionado que não dá conta... ou seja, sinto calor e fico com a pele gelada dor ar (como todos), mas eu acho que estou passando mal, preciso ficar olhando no espelho para ver minha cor, enfim... Nisso, a pressa em sumir de lá aumenta, já peguei embalagem resgada de cotonete, e ontem peguei uma margarina aberta...sorte que meu marido percebeu!!! Sozinho, porque não suportei ficar no caixa (e olha que tinha apenas uma pessoa na frente, já sendo atendida!!!), fui para o carro, saí do carro, andei feito uma barata tonta, tomei uma garrafa de água... e os 20 minutos que demorou para meu marido chegar equivaleram a 2 horas!!!

Mas a culpa é minha.... eu não estava me sentindo bem em casa, havia tomado um Rivotril, mas insisti em ir... Sempre que forço, que insisto em fazer algo sabendo que não estou bem, passo mal.

Hoje já tomei Rivotril. O motivo do nervosismo: estou esperando uma entrega de uma loja, esqueci de avisar que no prédio não isso não pode ser feito das 11 às 13 horas. Meu Deus!!! E precisa dar aperto no peito, falta de ar, dor de cabeça???

Sinceramente, tenho momentos de desânimo. Minha memória está ruim... eu sempre fui ligada no 220, trabalhava demais porque fazia o meu serviço e dos outros, sempre abraçava novos desafios, levava serviço para casa. Agora troco palavras, nomes, e isso tem me deixado constrangida diante dos outros.

Estou me organizando com anotações, lembretes no celular, até para tomar remédios. Essa semana quase tomei o Exodus pela segunda vez no lugar a pílula!!! Quem é essa pessoa que está tomando meu lugar?!

Ontem voltei tão ruim do supermercado, que peguei um banquinho na cozinha para arrumar as coisas sem cair no chão; porém, não prestei atenção e sentei na lixeira!!! Chega a ser cômico... mas não é. Outro dia tirei uma panela e não desliguei o fogo; não vi que estava aceso, e coloquei uma toalha por cima... sorte que minha mãe cortou, bordou novamente, e ganhei uma toalha menos... acho que ela ficou com dó, e me deu outras 2 novas.

Vou conversar com meu médico sobre isso.

Quem estiver passando por isso, por favor, deixe um comentário. A troca de experiências pode nos auxiliar. 




sábado, 5 de fevereiro de 2011

Crise

Estou em crise...

Tem cada situação; eu não procuro encrenca, mas ela me acha! Depois de umas crises fortes e do início do tratamento da síndrome do pânico, optei por não procurar sarna para me coçar, e avisei os mais próximos sobre isso. Não quero me meter em problemas dos outros, nem saber de fofocas de família, trabalho, enfim.

Essa semana concluí que eu estava sendo um pouco pisoteada por uma pessoa próxima, mas descobri que eu não sou eu mesma com ela. Assim, é como se eu me deitasse para ela pisar. Com ela fico com o freio de mão puxado, porque todas as respostas vêm em tom rude, como se eu estivesse falando a maior besteira do universo. O tom de reprovação e cobrança domina. Porém, eu nunca revidei, e analisei a situação; talvez eu faça isso para ser menos pisada, e para poder conviver com essa pessoa, que é muito próxima e muito querida.

Refleti essa semana, pois as pisoteadas passaram a magoar... Passei a gastar mais Rivotril a cada encontro. Se eu sendo eu mesma tenho tantos amigos, pessoas queridas mesmo, por que com essa pessoa as coisas têm que ser diferente? Chega, é hora de soltar o freio de mão. É hora da pessoa saber que sendo assim me magoa, que não gosto, e que serei eu mesma, que tem que aceitar as pessoas como elas são.

Então, é hora de agir... por mim, pela minha saúde!