segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma preocupação vira monstro

Eu e meu marido temos uma questão importante a ser definida hoje. Acontece que isso tem me torturado há dias, de forma que meu final de semana foi para espaço! E não tem Exodus nem Rivotril que segure! Acrescente-se a isso a TPM! Ainda assim meu final de semana em família foi tão bom...

O que eu quero é minha vida de volta.

Sexta-feira fomos comer pastel e quem apareceu por lá? Ele, o pânico. Isso me faz perder o prazer de conviver com as pessoas. Tem graça você estar numa conversa boa, ao ar livre, comendo um pastelzinho e começar a achar que vai apagar, etc, etc, etc? Acabou me fechando no meu mundo e para quem está junto isso não é simpático.

Sábado tive dor de cabeça tensional que me acompanhou até hoje cedo. Resultado não pudemos sair à noite. E a dor de cabeça é gatilho; acho que é AVC, que minha vista vai escurecer, e por aí vai.

Não há um remédio de efeito imediato... Fazem 2 meses que tomo Exodus, e seu prazo para fazer efeito é de 3 meses. O médico previu o tratamento de um ano. Minha dose foi aumentada semana passada para um e meio comprimido, e espero que isso ajude, pois, do contrário, terei que trocar de remédio e começar a saga de novo.

O que me deixa insegura é o fato de que posso ficar um tempo sem crise e, de repente, ela aparecer. Não é como tratar uma ferida, que você vê que cicatrizou e sabe que sarou.

Existem situações e locais em que passei mal, que vem se repetindo: supermercado, banco, trânsito parado, centro da cidade com muita gente; enfim, são situações ou locais dos quais eu não possa sair. Quando passo mal, tenho que sair de onde estou. Sinto-me um pouco mais segura se estiver com meu marido, sem ninguém, porque sei que se estiver mal posso pedir para vir embora sem constrangimentos. Tudo bem que tem dias em que ele "esquece" que eu estou com pânico e fica no "já vamos, amor", e lá vou eu botar meu Rivotril debaixo da língua!!!

Já pensei e acho que vou criar um código, quando eu falar esse código, ele vai saber que deve levantar e ir embora.

Chegamos em casa e num passe de mágica tudo passa. O que me faz evitar sair de casa. Moro num apartamento pequeno, e como estou desempregada (infelizmente), tem dias que nem piso fora dele.

Eu disfarço até que bem, e quase ninguém percebe que estou mal, a menos quem sabe que tomo remédio, e me vê pondo o remédio debaixo da língua. Se saio de casa, preciso ter à mão Rivotril e água, assim fico mais segura.

Sei que existem doenças e situação milhões de vezes piores do que a minha, mas precisava usar esse blog como desabafo, quem sabe ajuda.

O que mais quero é mesmo sarar logo, que seja em um ano, por dois motivos:
- preciso o quanto antes voltar a trabalhar (trabalho desde 16 anos, sou das que se dedicam até a alma, chegava a ficar 12 horas no trabalho, levar serviço para casa, gostava de fazer tudo com perfeição, então ficar em casa para mim é castigo). O pesadelo é a entrevista. Estava a caminho de uma, e desmoronei... não consegui.

- quero sarar, ter alta do médico, parar com os remédios e engravidar, meu reloginho biológico está bem adiantado...rs... Muita gente me cobra essa gravidez, fico constrangida em responder, mas decidi que a partir de agora vou esclarecer a todos os chatos e curiosos que perguntam quando vou engravidar: "quando terminar o meu tratamento de síndrome do pânico, e livrar meu organismo dos anti-depressivos e tranquilizantes tarja preta". Grosseria? Sim, de quem invade minha privacidade.








quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Histórias...

Passar um dia sem crise, é uma vitória, ainda mais sem precisar do medicamento de emergência. Sinto-me uma pessoa normal, chego a me iludir que estou curada, que nunca mais terei crises. É bom.

Mas, no outro dia, acordar e já sentir sintomas de uma crise, é um fracasso. Sinto-me fragilizada, como se não fosse conseguir superar essa síndrome.

Percebo que a crise em mim assemelha-se a uma prateleira: acumulo fatos ou situações de pequeno a alto nível de stress, e explode quando satura... Quando penso que passei por uma situação estressante ilesa, logo venho a me lembrar que ela estava lá, guardadinha na prateleira, para explodir depois...

Chamo certos fatos de “gatilhos”, e tudo pode ser assim denominado, situações desconhecidas, cheiros, barulhos, dores, sensações, fatos que já desencadearam crises, locais onde passei mal.

A figura principal da minha síndrome é a “temida” persiana... Sim, no que eu acho que foi a primeira (março de 2009) e pior crise, sai de um local escuro para uma sala iluminada e dei de cara com muitas janelas por onde a luz do sol passava pelas persianas. Fui ao meu computador, não conseguia enxergar direito, via manchas pretas, e aí o pânico tomou conta. Tomei muita água, chamei duas colegas de trabalho, sentei, até sal me deram, e meu chefe brigando porque não podia dar sal, e eu achando que ia desmaiar, e lembro de perguntar: o que eu faço?

Desde então, não encaro mais persianas. Li uma reportagem de uma moça que passou mal ao tomar um creme de palmito, e esse virou seu vilão. Para quem vê de fora, pode ser engraçado, louco, estranho, frescura, mas quem passa por isso, não deseja a ninguém.

Fui ao pronto socorro, o médico me apavorou mais e mandou procurar um neurologista. Eu estava tão assustada, que devo ter assustado o médico, que me pediu ressonância e mais alguns exames. Aí começou meu pesadelo. Procurei um local para fazer a ressonância de campo aberto, pois estava morrendo de medo do exame. Aguardando para fazer já comecei a ficar fria, apavorada, já na sala me avisaram que, quando dessem o contraste, se sentisse qualquer mal estar, era para avisar imediatamente. Pronto, era o que faltava! Já na máquina, com a cabeça presa, começou o exame, ainda sem o contraste. Minha crise chegou, eu chorava sem conseguir conter, e pedi para me tirarem dela. Ainda me ofereceram fazer o exame sedada; ora, se o contraste dá reação, sedada como eu avisaria qualquer reação??? Sumi do laboratório. O problema é que até hoje fico com isso na cabeça, será que tenho algo, alguma doença que podia ter sido detectada no exame?

Depois de crises e pronto socorro não resolvendo, uma médica foi grossa, não me medicou (poderia ter me dado um ansiolítico, pelo menos), e me mandou procurar um psiquiatra.

Fiz um tratamento de seis meses, terminou. Mudei de cidade. Durante o tratamento tive algumas crises. Uma delas, na sala com três diretores da empresa em que trabalhava. Tive que interromper, informar que não estava me sentindo bem e pedir água. Imaginar a cena pode ser simples de fora, mas para mim, me senti a pior das criaturas. Os três me olhando e eu querendo sumir... nas crises sinto necessidade de sair do ambiente em que estou e ir para a casa. O gatilho: a temida persiana.

Nas crises sinto que vou morrer, enfartar, ter um AVC, um derrame, que minha vista vai escurecer, que vou desmaiar. Fico apertando os pés e as mãos de desespero. Sinto no rosto um calor, quase um formigamento, e nas mãos e nos pés. Primeira coisa que faço é beber água sem parar, grudo numa garrafinha de água, que me acompanha sempre que saio. Olho no espelho para ver se não estou pálida ou vermelha, roxa, sei lá...








  

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Acrescentando

Acrescentando, não sei se só comigo acontece isso, mas o que tem de gente achando que estou grávida, quando tenho alguma crise... no começo irrita, mas depois chega a  ser engraçado. E não adianta falar que estou com síndrome do pânico, em tratamento, tomando remédios, pois ouço "hum, não sei não".


O que me irrita mesmo é não levarem a sério essa doença que judia. Meu médico mesmo disse que o paciente sofre mais do que o que tem depressão. Eu sei que não desejo a ninguém nem 1% do que passo: medo de morrer (infarte, AVC, etc), de desmaiar, perder os sentidos, a vontade é de sair correndo de onde estou, bebendo água sempre (não sei por quê), e ligar para uma pessoa de confiança, que no meu caso é meu marido, pedindo que ele converse comigo.


É... não é fácil...

Motivo

Há tempos vinha me questionando sobre a minha essência, por exemplo, recuperar a leveza de quando era criança... a alegria de se divertir rolando na grama... gargalhar mais e por coisas mais simples, enfim.

Porém, há uns dois meses foi atropelada por uma antiga sombra: a síndrome do pânico. Já tinha sofrido, tratado e melhorado. Mas, a famigerada voltou mais forte, alimentada pelo desemprego, mudança de cidade, entre outros.

Quem realmente já teve, sabe como isso é um pesadelo. Digo "quem realmente já teve", pois quando passo mal, sempre tem alguém para dizer: "ah, mas eu também sinto isso", "é o calor", "fique calma"... A depressão é muito mais respeitada do que a síndrome do pânico. Tenho a impressão de que as pessoas a encaram como frescura, não aceitam.

A dificuldade em ser compreendida é grande, senti na pele. Prova disso é que todo comentam que tem ou tiveram depressão, o que não ocorre com a síndrome do pânico. Só encontrei relatos na internet, queria conversar com que sofre, ou já sofreu e se curou. Muitas vezes avisei: não me sinto bem, e fui tratada como estressada ou nervosa. Fui forçada a sair mesmo não estando bem, e passei mal na rua, tendo inclusive a que ser medicada em pronto socorro. Muitas vezes justifiquei que não faria um passeio porque não estava 100% e queria evitar uma crise e ouvi "que nada, você não vai passar mal".

Isso é uma tortura. O tratamento psiquiátrico está no começo, mas ainda tenho crises. E o comportamento dos outros influencia muito o tratamento. Meu marido está quase totalmente adaptado, sabe que se eu digo que não estou boa, tenho que sair do local onde estou, que não adianta me pedir para ter calma, porque isso não adianta. Me forçar a ficar é crise na certa.

Bom, pretendo, aos poucos relatar o que passo, e quem sabe isso possa ajudar alguém. Tentar dar leveza a uma situação difícil pode ajudar. E também mesclar com outros assuntos, é claro.