quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Motivo

Há tempos vinha me questionando sobre a minha essência, por exemplo, recuperar a leveza de quando era criança... a alegria de se divertir rolando na grama... gargalhar mais e por coisas mais simples, enfim.

Porém, há uns dois meses foi atropelada por uma antiga sombra: a síndrome do pânico. Já tinha sofrido, tratado e melhorado. Mas, a famigerada voltou mais forte, alimentada pelo desemprego, mudança de cidade, entre outros.

Quem realmente já teve, sabe como isso é um pesadelo. Digo "quem realmente já teve", pois quando passo mal, sempre tem alguém para dizer: "ah, mas eu também sinto isso", "é o calor", "fique calma"... A depressão é muito mais respeitada do que a síndrome do pânico. Tenho a impressão de que as pessoas a encaram como frescura, não aceitam.

A dificuldade em ser compreendida é grande, senti na pele. Prova disso é que todo comentam que tem ou tiveram depressão, o que não ocorre com a síndrome do pânico. Só encontrei relatos na internet, queria conversar com que sofre, ou já sofreu e se curou. Muitas vezes avisei: não me sinto bem, e fui tratada como estressada ou nervosa. Fui forçada a sair mesmo não estando bem, e passei mal na rua, tendo inclusive a que ser medicada em pronto socorro. Muitas vezes justifiquei que não faria um passeio porque não estava 100% e queria evitar uma crise e ouvi "que nada, você não vai passar mal".

Isso é uma tortura. O tratamento psiquiátrico está no começo, mas ainda tenho crises. E o comportamento dos outros influencia muito o tratamento. Meu marido está quase totalmente adaptado, sabe que se eu digo que não estou boa, tenho que sair do local onde estou, que não adianta me pedir para ter calma, porque isso não adianta. Me forçar a ficar é crise na certa.

Bom, pretendo, aos poucos relatar o que passo, e quem sabe isso possa ajudar alguém. Tentar dar leveza a uma situação difícil pode ajudar. E também mesclar com outros assuntos, é claro.











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