quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Histórias...

Passar um dia sem crise, é uma vitória, ainda mais sem precisar do medicamento de emergência. Sinto-me uma pessoa normal, chego a me iludir que estou curada, que nunca mais terei crises. É bom.

Mas, no outro dia, acordar e já sentir sintomas de uma crise, é um fracasso. Sinto-me fragilizada, como se não fosse conseguir superar essa síndrome.

Percebo que a crise em mim assemelha-se a uma prateleira: acumulo fatos ou situações de pequeno a alto nível de stress, e explode quando satura... Quando penso que passei por uma situação estressante ilesa, logo venho a me lembrar que ela estava lá, guardadinha na prateleira, para explodir depois...

Chamo certos fatos de “gatilhos”, e tudo pode ser assim denominado, situações desconhecidas, cheiros, barulhos, dores, sensações, fatos que já desencadearam crises, locais onde passei mal.

A figura principal da minha síndrome é a “temida” persiana... Sim, no que eu acho que foi a primeira (março de 2009) e pior crise, sai de um local escuro para uma sala iluminada e dei de cara com muitas janelas por onde a luz do sol passava pelas persianas. Fui ao meu computador, não conseguia enxergar direito, via manchas pretas, e aí o pânico tomou conta. Tomei muita água, chamei duas colegas de trabalho, sentei, até sal me deram, e meu chefe brigando porque não podia dar sal, e eu achando que ia desmaiar, e lembro de perguntar: o que eu faço?

Desde então, não encaro mais persianas. Li uma reportagem de uma moça que passou mal ao tomar um creme de palmito, e esse virou seu vilão. Para quem vê de fora, pode ser engraçado, louco, estranho, frescura, mas quem passa por isso, não deseja a ninguém.

Fui ao pronto socorro, o médico me apavorou mais e mandou procurar um neurologista. Eu estava tão assustada, que devo ter assustado o médico, que me pediu ressonância e mais alguns exames. Aí começou meu pesadelo. Procurei um local para fazer a ressonância de campo aberto, pois estava morrendo de medo do exame. Aguardando para fazer já comecei a ficar fria, apavorada, já na sala me avisaram que, quando dessem o contraste, se sentisse qualquer mal estar, era para avisar imediatamente. Pronto, era o que faltava! Já na máquina, com a cabeça presa, começou o exame, ainda sem o contraste. Minha crise chegou, eu chorava sem conseguir conter, e pedi para me tirarem dela. Ainda me ofereceram fazer o exame sedada; ora, se o contraste dá reação, sedada como eu avisaria qualquer reação??? Sumi do laboratório. O problema é que até hoje fico com isso na cabeça, será que tenho algo, alguma doença que podia ter sido detectada no exame?

Depois de crises e pronto socorro não resolvendo, uma médica foi grossa, não me medicou (poderia ter me dado um ansiolítico, pelo menos), e me mandou procurar um psiquiatra.

Fiz um tratamento de seis meses, terminou. Mudei de cidade. Durante o tratamento tive algumas crises. Uma delas, na sala com três diretores da empresa em que trabalhava. Tive que interromper, informar que não estava me sentindo bem e pedir água. Imaginar a cena pode ser simples de fora, mas para mim, me senti a pior das criaturas. Os três me olhando e eu querendo sumir... nas crises sinto necessidade de sair do ambiente em que estou e ir para a casa. O gatilho: a temida persiana.

Nas crises sinto que vou morrer, enfartar, ter um AVC, um derrame, que minha vista vai escurecer, que vou desmaiar. Fico apertando os pés e as mãos de desespero. Sinto no rosto um calor, quase um formigamento, e nas mãos e nos pés. Primeira coisa que faço é beber água sem parar, grudo numa garrafinha de água, que me acompanha sempre que saio. Olho no espelho para ver se não estou pálida ou vermelha, roxa, sei lá...








  

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