O problema do desemprego é financeiro, e também agrava a síndrome do pânico porque a cabeça vazia é muito prejudicial.
Porém, a televisão complica demais a vida de alguém que está sem trabalho e se recuperando do pânico. Só há notícias ruins, desgraças, acidentes, crimes, enfim. Será que não acontece nada de bom, interessante, curioso a ser mostrado num país desse tamanho? Quando digo curioso não me refiro a reportagens bizarras como o nascimento de cachorro verde, porca que amamenta filhotes de cachorros, entre outros.
Não pretendo esconder a cabeça debaixo do travesseiro, há muito deixei de usar os óculos cor de rosa, sei que a realidade é dura, mas podiam mesclar as reportagens.
Uma emissora começa a mostrar as desgraças de manhã, dentro do programa feminino, repete no programa de jornalismo em torno das 12 horas, e mais umas duas vezes por dia... As mesmas desgraças, acrescidas de mais algumas.
Flagrantes de câmeras de segurança e helicópteros são uma febre. Notícias desnecessárias, como um tombo de moto, um resgate de alguém que passou mal, de uma gato na árvore...Mostrem as desgraças indispensáveis, mas precisam procurar, pinçar fatos como estes?
A programação fica pesada demais. E nessa emissora que citei fica repetitiva.
Mudo de canal, outra revista feminina. Duas apresentadoras que mostram com as perguntas aos entrevistados que desconhecem o assunto, erros de português, perguntas sem propósito, numa quantidade que chega a irritar, pois nem risadas causam. Até na culinária conseguem ser equivocadas e fazer colocações absurdas.
Estamos sem canal a cabo exatamente em virtude do meu desemprego, contenção de despesas, o que agrava a situação. Que saudade do programa Happy Hour da Astrid, do Irritando Fernanda Young, Tirando onda, Vai pra onde, entre outros. De poder fugir das desgraças assistindo um filme atrás do outro, de rever as novelinhas no Viva...
O seriado “Todo mundo odeia o Cris” virou o Chaves, com episódios que se repetem em sessões diárias de mais de uma hora. Pior, o Cris aparece até no fim de semana... Por isso, todos o odeiam mesmo, como não odiar?
Uma apresentadora chatérrima, falsa ao extremo, explora parentes e vítimas de desgraças, e faz-se de condoída, dizendo ser copiada quando qualquer outro programa entrevista pessoas na mesma situação, como se a bela tivesse criado esse formato. Sinceramente, essa pessoa já deveria ter se aposentado. Fora do programa, é mais grossa e insuportável ainda.
Falta criatividade? Novos programas, vamos fazer a vida mais leve, deixemos as desgraças para os programas jornalísticos.
Só peço que Deus bloqueie as minhas crises numa futura entrevista de trabalho porque sinto que vou “emburrecer” se continuar na companhia da TV.