sábado, 19 de março de 2011

Surto

Já fazem duas noites que a insônia me visita. Num dia só consegui dormir depois das 04 horas, com Rivotril e me revirando na cama. E essa noite depois das 2 horas com Rivotril.

Estou ficando ansiosa pois, como venho melhorando das crises, graças a Deus, ao Exodus e ao Rivotril, não vejo a hora de voltar a trabalhar. Nunca fiquei tanto tempo sem trabalhar, e meu ritmo sempre foi intenso, de quase 12 horas por dia. Sempre me jogo no trabalho, em casa faço pesquisas, compro livro, adoro tudo isso, e preciso voltar a essa rotina.

Sinto-me inútil em casa, com muita vergonha de depender somente do salário do meu marido, de estarmos apertados por causa disso. Eu não contava que fosse ficar desempregada e doente!

Nem posso sonhar em me sentir mal numa entrevista, pedir água, ou para sair da sala.... seria uma oportunidade perdida. Ainda mais para uma mulher. Pensa bem, se falo que é uma crise de pânico, serei descartada... logo concluirão que não suporto pressão, e, sendo mulher, vão achar que sou frescurenta, nervosinha, essas coisas. Se eu não falo, vão achar que estou grávida!

Perdi a conta de quantas vezes me perguntaram se eu estava grávida quando um dos sintomas da crise apontou. Se eu fosse homem, isso não seria nem gravidez nem frescura, e os comentários seriam "Poxa, cara, você tem que cuidar de sua saúde, diminuir o ritmo, tem trabalhado muito". Mas o que ouço é: "Já melhora, é calor, a pressão baixou!", "Xi, não está grávida, não"... e por aí vai.

Outra pergunta irritante: "Mas, como foi que você pegou isso?".... No ar, existe um vírus que transmite a síndrome do pânico!!! Tolerância zero.... Ou então, a pessoa xereta pergunta o que você sente, você explica.... e é obrigado a ouvir "ah, eu também tenho isso!"; como minha paciência é curta já pergunto logo se quer  telefone do meu psiquiatra e encerro o assunto.

O remédio que preciso hoje é voltar a trabalhar urgentemente!!!!


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