terça-feira, 5 de julho de 2011

Trabalho: o melhor remédio, e sem tarja preta!

Enfim, posso dizer que estou bem, bem melhor!!! Comecei a trabalhar como free lancer há 3 semanas e minha vida ficou colorida de novo!!!

Novos planos, perspectivas...

Vou a supermercados, shopping, salão de beleza sem passar mal. Atividades que eu não vinha tendo porque as crises me acompanhavam. Em abril, ir à manicure ainda era complicado. São atividades simples e bobas, mas para quem tem a síndrome do pânico, são mais complexas.

Hoje passei em outro teste: meu marido levou, por engano, a minha chave e a dele, assim, passei o dia "trancada", e fiquei bem!!!

Aprendi, com o pânico, a comemorar cada vitória, a ficar feliz mais vezes e com as pequenas coisas... e vem dando certo!!!

Troquei ontem o Exodus (que saiu de circulação por enquanto) pelo Spran, e assim vou melhorando, dia a dia.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tanto tempo sem escrever, tanta coisa para contar...


Consegui mehoras importantes como ir ao shopping num sábado lotado, ao supermercado, ao banco. E o melhor: fiz uma entrevista de emprego sem passar mal!!! Fiquei muito feliz. Fui fazer um acordo num processo meu, numa audiência e também fiquei bem!!! Isso me deu uma energia muito boa.

Porém, fiquei com muito medo da empresa não pagar na data combinada, e muito ansiosa em ser chamada para trabalhar (estou precisando psicologicamente e financeiramente!!!), e tive uns piripaques...rs ... em casa mesmo, uma "mini-mini-crise", com falta de ar e aperto no peito apenas... dá-lhe Rivotril e muita água.... melhorei.... só tive um ameaço pequenino no dia em que fui fazer um ecocardiograma e teste na esteira. Passou, fiquei de pé de novo.

Até que, hoje fiquei sabendo que a vaga para qual fiz a entrevista, tão sonhada, teve o processo seletivo suspenso. Já fiquei com um mau humor, mas quando comecei a pensar que nada mais vai dar certo, consegui desviar o pensamento, não tive crise, mas não estou com a mínima vontade de interagir, de contar isso a ninguém, que não seja o meu marido.

Minha vontade é dormir para não pensar e, consequentemente, não surtar....

Mas vou conseguir levantar de novo... não hoje, amanhã talvez!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Volta para o mar, oferenda

Demorei, mas detectei um  vampiro em minha vida. Faz-se de amigo por algum motivo do interesse dele, e está por perto enquanto você possa alimentá-lo.

No meu caso, eu via como imaturidade o que era, na verdade, rancor, maldade, arrogância; defendi esse vampirinho várias vezes, alimentava-o, achava que era amigo.

Comecei a perceber que suas conversas não começavam como a minha: tudo bem com você, como você está, enfim, nunca perguntava sobre mim. Ia direto ao ponto que lhe interessava: está sabendo de algo sobre...

Percebi que é vingativo, pessimista, egoísta...

Temos um assunto em comum, um acordo na justiça, e não deu muito certo o dele, mas o meu parece que dará. Tive que ouvir um "se prepare porque você não vai receber nada"... gota d'água...

Ponto final, game over ao vampirinho... como diz o ditado "volta para o mar, oferenda" !!! Chega, estou gastando mais de R$ 150,00 por mês em remédio, sem emprego, para uma criaturinha estragar meu tratamento. Inclui no meu tratamento afastar-me de quem joga contra. E está dando certo.

Vou ser feliz, vai dar certo, vou trabalhar, isso sim é que importa!!!

Viver e não ter a vergonha de ser feliz!!!


terça-feira, 22 de março de 2011

TV ABERTA X SÍNDROME DO PÂNICO = SOCORRO!!!

O problema do desemprego é financeiro, e também agrava a síndrome do pânico porque a cabeça vazia é muito prejudicial.

Porém, a televisão complica demais a vida de alguém que está sem trabalho e se recuperando do pânico. Só há notícias ruins, desgraças, acidentes, crimes, enfim. Será que não acontece nada de bom, interessante, curioso a ser mostrado num país desse tamanho? Quando digo curioso não me refiro a reportagens bizarras como o nascimento de cachorro verde, porca que amamenta filhotes de cachorros, entre outros.

Não pretendo esconder a cabeça debaixo do travesseiro, há muito deixei de usar os óculos cor de rosa, sei que a realidade é dura, mas podiam mesclar as reportagens.

Uma emissora começa a mostrar as desgraças de manhã, dentro do programa feminino, repete no programa de jornalismo em torno das 12 horas, e mais umas duas vezes por dia... As mesmas desgraças, acrescidas de mais algumas.

Flagrantes de câmeras de segurança e helicópteros são uma febre. Notícias desnecessárias, como um tombo de moto, um resgate de alguém que passou mal, de uma gato na árvore...Mostrem as desgraças indispensáveis, mas precisam procurar, pinçar fatos como estes?

A programação fica pesada demais. E nessa emissora que citei fica repetitiva.

Mudo de canal, outra revista feminina. Duas apresentadoras que mostram com as perguntas aos entrevistados que desconhecem o assunto, erros de português, perguntas sem propósito, numa quantidade que chega a irritar, pois nem risadas causam. Até na culinária conseguem ser equivocadas e fazer colocações absurdas.

Estamos sem canal a cabo exatamente em virtude do meu desemprego, contenção de despesas, o que agrava a situação.  Que saudade do programa Happy Hour da Astrid, do Irritando Fernanda Young, Tirando onda, Vai pra onde, entre outros. De poder fugir das desgraças assistindo um filme atrás do outro, de rever as novelinhas no Viva...

O seriado “Todo mundo odeia o Cris” virou o Chaves, com episódios que se repetem em sessões diárias de mais de uma hora. Pior, o Cris aparece até no fim de semana... Por isso, todos o odeiam mesmo, como não odiar?

Uma apresentadora chatérrima, falsa ao extremo, explora parentes e vítimas de desgraças, e faz-se de condoída, dizendo ser copiada quando qualquer outro programa entrevista pessoas na mesma situação, como se a bela tivesse criado esse formato. Sinceramente, essa pessoa já deveria ter se aposentado. Fora do programa, é mais grossa e insuportável ainda.

Falta criatividade? Novos programas, vamos fazer a vida mais leve, deixemos as desgraças para os programas jornalísticos.

Só peço que Deus bloqueie as minhas crises numa futura entrevista de trabalho porque sinto que vou “emburrecer” se continuar na companhia da TV.


sábado, 19 de março de 2011

Surto

Já fazem duas noites que a insônia me visita. Num dia só consegui dormir depois das 04 horas, com Rivotril e me revirando na cama. E essa noite depois das 2 horas com Rivotril.

Estou ficando ansiosa pois, como venho melhorando das crises, graças a Deus, ao Exodus e ao Rivotril, não vejo a hora de voltar a trabalhar. Nunca fiquei tanto tempo sem trabalhar, e meu ritmo sempre foi intenso, de quase 12 horas por dia. Sempre me jogo no trabalho, em casa faço pesquisas, compro livro, adoro tudo isso, e preciso voltar a essa rotina.

Sinto-me inútil em casa, com muita vergonha de depender somente do salário do meu marido, de estarmos apertados por causa disso. Eu não contava que fosse ficar desempregada e doente!

Nem posso sonhar em me sentir mal numa entrevista, pedir água, ou para sair da sala.... seria uma oportunidade perdida. Ainda mais para uma mulher. Pensa bem, se falo que é uma crise de pânico, serei descartada... logo concluirão que não suporto pressão, e, sendo mulher, vão achar que sou frescurenta, nervosinha, essas coisas. Se eu não falo, vão achar que estou grávida!

Perdi a conta de quantas vezes me perguntaram se eu estava grávida quando um dos sintomas da crise apontou. Se eu fosse homem, isso não seria nem gravidez nem frescura, e os comentários seriam "Poxa, cara, você tem que cuidar de sua saúde, diminuir o ritmo, tem trabalhado muito". Mas o que ouço é: "Já melhora, é calor, a pressão baixou!", "Xi, não está grávida, não"... e por aí vai.

Outra pergunta irritante: "Mas, como foi que você pegou isso?".... No ar, existe um vírus que transmite a síndrome do pânico!!! Tolerância zero.... Ou então, a pessoa xereta pergunta o que você sente, você explica.... e é obrigado a ouvir "ah, eu também tenho isso!"; como minha paciência é curta já pergunto logo se quer  telefone do meu psiquiatra e encerro o assunto.

O remédio que preciso hoje é voltar a trabalhar urgentemente!!!!


quinta-feira, 17 de março de 2011

Luz em minha vida

Uma luzinha pequenina, mas, intensa, vem iluminando meu novo caminho, o que me distancia a cada dia das crises do pânico.

Uma luzinha de pouco mais de 5 kg, quase três meses de vida, cabelinhos espetados e olhinhos muito vivos, meu sobrinho! Como eu poderia imaginar que iria amar tanto esse menininho fofo, risonho e lindo demais (sim, tia babona!)?

Ele me faz enxergar o futuro, um mundo novo, me fez voltar a sorrir e ver que tudo vai dar certo.

Juntamente com meu marido, está trazendo as cores de volta à minha vida!

Quero sarar, quero trabalhar urgentemente, quero parar de tomar os remédios e dar ao meu sobrinho um priminho ou priminha!

Por enquanto vou curtindo essa doce e alegre luz que Deus colocou em nossas vidas!


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cápsulas diárias de amor

Sem nenhuma dúvida o Exodus e o Rivotril ajudam na síndrome do pânico, mas o melhor remédio é composto de paciência, compreensão e amor. E tenho encontrado tudo isso no meu marido. Acrescente-se o fato do meu desemprego e ele estar se sacrificando sozinho.

Não sei como poderei retribuir tudo o que ele está fazendo por mim. Todas suas tentativas de me animar, de me levar passear... cujo sucesso é pequeno, mas ele não me força nem desiste de me trazer de volta a vida normal.

Toda sua paciência com minhas crises de choro, quando me sinto derrotada, sem esperança, com meu mau-humor (o normal mais o agravado pela crise), meu nervosismo... acho que ele já perdeu a conta de quantas vezes ouviu de mim “estou com medo de morrer”...rs

Estou encantada com ele, e gostaria que soubesse que sempre estarei do seu lado, para o que precisar, que serei eternamente grata por tudo que tem feito por mim, que o admiro muito, que tenho orgulho de ser sua esposa e de ter seu nome agregado ao meu.

Eu farei o que puder para me livrar dessa síndrome do pânico, e vou conseguir, vou voltar ao normal, trabalhar, rir, passear... e todas as minhas vitórias serão dedicadas a ele, o meu único e grande amor, responsável por me curar com seu amor!!!

Solidão

Sentir-se só é relativo. Podemos nos sentir só estando rodeado de pessoas; podemos nos sentir só por opção, por nos excluirmos por vontade própria do convívio social; podemos não nos sentir só, mesmo não tendo ninguém por perto.

Porém, confundo, às vezes, o “sentir só”, com o “vazio”.

Uma amiga me perguntou se a síndrome do pânico não seria por eu estar me sentindo sozinha, por ter mudado há pouco tempo de cidade. Não sei, mas acho que o que desencadeou foi a sensação de fracasso profissional.

Entro numa empresa como se fosse uma jovem sonhadora num casamento arranjado, naqueles filmes de época. Nunca penso em separação, mas em união eterna. E dou tudo no trabalho para isso, me dedico ao extremo, chego antes, saio depois, comprometo horário de almoço, e por conseqüência, minha saúde, compro livros, faço pesquisas, me aprofundo no assunto, enfim...

Como a jovem sonhadora que se depara com a realidade do seu casamento não ser o esperado: ela é a única a se dedicar integralmente, sem ter uma retribuição por isso. E pior, descobre estar sendo traída, mas releva, na esperança de que isso passará. Assim, demoro para enxergar a realidade, pois a minha é mais agradável.

Dessa maneira, quando vi, meu casamento profissional já não tinha como ser recuperado; todos os planos, o amor pela empresa, foram por água abaixo. Traição? Falta de reconhecimento? Demorou, mas cheguei à conclusão que a dedicação atrai mais a atenção de “colegas” de trabalho não tão competentes do que dos chefes... Antes que a sua estrela brilhe aos olhos dos chefes, há uma legião de infelizes a ofuscar e impedir que sua luz se propague. E esses, estão mais perto do que se imagina.

Bom, em todo caso, como não durou eternamente meu casamento profissional, me senti fracassada por isso... mudei minha vida e de meu marido, e isso acho que foi em grande parte responsável pelo pânico: a culpa.

Aliás, a solidão de que comecei a falar vem, em parte, da vontade de se isolar que a SP provoca. Por não estar trabalhando, sinto como se eu não tivesse assunto para conversar, não há também a vida social entre colegas de trabalho... Sem contar que tenho vergonha de não estar trabalhando, e sempre enfrento essa pergunta.

Como meus amigos estão em outra cidade, eu sinto, equivocadamente, como se tivesse que buscar novos amigos, e isso a essa altura da minha vida não é animador. Mas é necessário, ninguém vive sozinho.

De qualquer forma, pela minha saúde, decidi adotar a nova cidade, conquistar novos amigos (ou colegas, pelo menos) e (tentar) trazer os amigos e parentes para nos visitar. E essa tarefa nem sempre é fácil...





quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Comeração


Nem só de lamentos deve ser composto este blog!!!

Quero comemorar e compartilhar cada avanço; mesmo que pequeno, para mim é uma vitória!

Ontem consegui fazer algumas coisas que me faziam mal, e nem sinal de crise!!! Fui ao supermercado, sai de carro sem ser com meu marido e não fiquei nervosa, e à noite, pasmem: fui ao shopping ( = multidão), debaixo da maior chuva, e não passei mal... até comi um lanchinho com meu marido, com tranqüilidade!!! E olha que quase bateram no carro duas vezes...rs...
                                                                                                           
Atribuo isso à luz especial que minha casa ganhou ontem, com a visita de um anjinho, do bebê mais fofo do mundo! Baba, tia...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quem é essa pessoa que está tomando meu lugar?!

Algumas reações minha mudaram após a síndrome do pânico. Leio muitos artigos na internet, e cheguei à conclusão de que a minha resistência, ante qualquer tipo de problema, é mínima. Seja uma coisinha sem importância ou maior. Eu surto mesmo.

Se eu não estiver bem, avisar ao meu marido isso, para irmos embora, e ele vier com a clássica resposta "nós já vamos", é crise na certa. E ele já sabe disso. Quando não desencadeia a crise,pode surgir um desconforto ou o que eu chamei de mini crise (um início, ou apenas alguns sintomas da crise).

Ontem deparei-me com um dos meus mais novos monstros: o supermercado! Logo eu, que sempre gostei, não me importava se estava cheio, se tinha fila... Percebi que um dos problemas que gera o mal estar é o calor dentro do supermercado, com um ar condicionado que não dá conta... ou seja, sinto calor e fico com a pele gelada dor ar (como todos), mas eu acho que estou passando mal, preciso ficar olhando no espelho para ver minha cor, enfim... Nisso, a pressa em sumir de lá aumenta, já peguei embalagem resgada de cotonete, e ontem peguei uma margarina aberta...sorte que meu marido percebeu!!! Sozinho, porque não suportei ficar no caixa (e olha que tinha apenas uma pessoa na frente, já sendo atendida!!!), fui para o carro, saí do carro, andei feito uma barata tonta, tomei uma garrafa de água... e os 20 minutos que demorou para meu marido chegar equivaleram a 2 horas!!!

Mas a culpa é minha.... eu não estava me sentindo bem em casa, havia tomado um Rivotril, mas insisti em ir... Sempre que forço, que insisto em fazer algo sabendo que não estou bem, passo mal.

Hoje já tomei Rivotril. O motivo do nervosismo: estou esperando uma entrega de uma loja, esqueci de avisar que no prédio não isso não pode ser feito das 11 às 13 horas. Meu Deus!!! E precisa dar aperto no peito, falta de ar, dor de cabeça???

Sinceramente, tenho momentos de desânimo. Minha memória está ruim... eu sempre fui ligada no 220, trabalhava demais porque fazia o meu serviço e dos outros, sempre abraçava novos desafios, levava serviço para casa. Agora troco palavras, nomes, e isso tem me deixado constrangida diante dos outros.

Estou me organizando com anotações, lembretes no celular, até para tomar remédios. Essa semana quase tomei o Exodus pela segunda vez no lugar a pílula!!! Quem é essa pessoa que está tomando meu lugar?!

Ontem voltei tão ruim do supermercado, que peguei um banquinho na cozinha para arrumar as coisas sem cair no chão; porém, não prestei atenção e sentei na lixeira!!! Chega a ser cômico... mas não é. Outro dia tirei uma panela e não desliguei o fogo; não vi que estava aceso, e coloquei uma toalha por cima... sorte que minha mãe cortou, bordou novamente, e ganhei uma toalha menos... acho que ela ficou com dó, e me deu outras 2 novas.

Vou conversar com meu médico sobre isso.

Quem estiver passando por isso, por favor, deixe um comentário. A troca de experiências pode nos auxiliar. 




sábado, 5 de fevereiro de 2011

Crise

Estou em crise...

Tem cada situação; eu não procuro encrenca, mas ela me acha! Depois de umas crises fortes e do início do tratamento da síndrome do pânico, optei por não procurar sarna para me coçar, e avisei os mais próximos sobre isso. Não quero me meter em problemas dos outros, nem saber de fofocas de família, trabalho, enfim.

Essa semana concluí que eu estava sendo um pouco pisoteada por uma pessoa próxima, mas descobri que eu não sou eu mesma com ela. Assim, é como se eu me deitasse para ela pisar. Com ela fico com o freio de mão puxado, porque todas as respostas vêm em tom rude, como se eu estivesse falando a maior besteira do universo. O tom de reprovação e cobrança domina. Porém, eu nunca revidei, e analisei a situação; talvez eu faça isso para ser menos pisada, e para poder conviver com essa pessoa, que é muito próxima e muito querida.

Refleti essa semana, pois as pisoteadas passaram a magoar... Passei a gastar mais Rivotril a cada encontro. Se eu sendo eu mesma tenho tantos amigos, pessoas queridas mesmo, por que com essa pessoa as coisas têm que ser diferente? Chega, é hora de soltar o freio de mão. É hora da pessoa saber que sendo assim me magoa, que não gosto, e que serei eu mesma, que tem que aceitar as pessoas como elas são.

Então, é hora de agir... por mim, pela minha saúde!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma preocupação vira monstro

Eu e meu marido temos uma questão importante a ser definida hoje. Acontece que isso tem me torturado há dias, de forma que meu final de semana foi para espaço! E não tem Exodus nem Rivotril que segure! Acrescente-se a isso a TPM! Ainda assim meu final de semana em família foi tão bom...

O que eu quero é minha vida de volta.

Sexta-feira fomos comer pastel e quem apareceu por lá? Ele, o pânico. Isso me faz perder o prazer de conviver com as pessoas. Tem graça você estar numa conversa boa, ao ar livre, comendo um pastelzinho e começar a achar que vai apagar, etc, etc, etc? Acabou me fechando no meu mundo e para quem está junto isso não é simpático.

Sábado tive dor de cabeça tensional que me acompanhou até hoje cedo. Resultado não pudemos sair à noite. E a dor de cabeça é gatilho; acho que é AVC, que minha vista vai escurecer, e por aí vai.

Não há um remédio de efeito imediato... Fazem 2 meses que tomo Exodus, e seu prazo para fazer efeito é de 3 meses. O médico previu o tratamento de um ano. Minha dose foi aumentada semana passada para um e meio comprimido, e espero que isso ajude, pois, do contrário, terei que trocar de remédio e começar a saga de novo.

O que me deixa insegura é o fato de que posso ficar um tempo sem crise e, de repente, ela aparecer. Não é como tratar uma ferida, que você vê que cicatrizou e sabe que sarou.

Existem situações e locais em que passei mal, que vem se repetindo: supermercado, banco, trânsito parado, centro da cidade com muita gente; enfim, são situações ou locais dos quais eu não possa sair. Quando passo mal, tenho que sair de onde estou. Sinto-me um pouco mais segura se estiver com meu marido, sem ninguém, porque sei que se estiver mal posso pedir para vir embora sem constrangimentos. Tudo bem que tem dias em que ele "esquece" que eu estou com pânico e fica no "já vamos, amor", e lá vou eu botar meu Rivotril debaixo da língua!!!

Já pensei e acho que vou criar um código, quando eu falar esse código, ele vai saber que deve levantar e ir embora.

Chegamos em casa e num passe de mágica tudo passa. O que me faz evitar sair de casa. Moro num apartamento pequeno, e como estou desempregada (infelizmente), tem dias que nem piso fora dele.

Eu disfarço até que bem, e quase ninguém percebe que estou mal, a menos quem sabe que tomo remédio, e me vê pondo o remédio debaixo da língua. Se saio de casa, preciso ter à mão Rivotril e água, assim fico mais segura.

Sei que existem doenças e situação milhões de vezes piores do que a minha, mas precisava usar esse blog como desabafo, quem sabe ajuda.

O que mais quero é mesmo sarar logo, que seja em um ano, por dois motivos:
- preciso o quanto antes voltar a trabalhar (trabalho desde 16 anos, sou das que se dedicam até a alma, chegava a ficar 12 horas no trabalho, levar serviço para casa, gostava de fazer tudo com perfeição, então ficar em casa para mim é castigo). O pesadelo é a entrevista. Estava a caminho de uma, e desmoronei... não consegui.

- quero sarar, ter alta do médico, parar com os remédios e engravidar, meu reloginho biológico está bem adiantado...rs... Muita gente me cobra essa gravidez, fico constrangida em responder, mas decidi que a partir de agora vou esclarecer a todos os chatos e curiosos que perguntam quando vou engravidar: "quando terminar o meu tratamento de síndrome do pânico, e livrar meu organismo dos anti-depressivos e tranquilizantes tarja preta". Grosseria? Sim, de quem invade minha privacidade.








quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Histórias...

Passar um dia sem crise, é uma vitória, ainda mais sem precisar do medicamento de emergência. Sinto-me uma pessoa normal, chego a me iludir que estou curada, que nunca mais terei crises. É bom.

Mas, no outro dia, acordar e já sentir sintomas de uma crise, é um fracasso. Sinto-me fragilizada, como se não fosse conseguir superar essa síndrome.

Percebo que a crise em mim assemelha-se a uma prateleira: acumulo fatos ou situações de pequeno a alto nível de stress, e explode quando satura... Quando penso que passei por uma situação estressante ilesa, logo venho a me lembrar que ela estava lá, guardadinha na prateleira, para explodir depois...

Chamo certos fatos de “gatilhos”, e tudo pode ser assim denominado, situações desconhecidas, cheiros, barulhos, dores, sensações, fatos que já desencadearam crises, locais onde passei mal.

A figura principal da minha síndrome é a “temida” persiana... Sim, no que eu acho que foi a primeira (março de 2009) e pior crise, sai de um local escuro para uma sala iluminada e dei de cara com muitas janelas por onde a luz do sol passava pelas persianas. Fui ao meu computador, não conseguia enxergar direito, via manchas pretas, e aí o pânico tomou conta. Tomei muita água, chamei duas colegas de trabalho, sentei, até sal me deram, e meu chefe brigando porque não podia dar sal, e eu achando que ia desmaiar, e lembro de perguntar: o que eu faço?

Desde então, não encaro mais persianas. Li uma reportagem de uma moça que passou mal ao tomar um creme de palmito, e esse virou seu vilão. Para quem vê de fora, pode ser engraçado, louco, estranho, frescura, mas quem passa por isso, não deseja a ninguém.

Fui ao pronto socorro, o médico me apavorou mais e mandou procurar um neurologista. Eu estava tão assustada, que devo ter assustado o médico, que me pediu ressonância e mais alguns exames. Aí começou meu pesadelo. Procurei um local para fazer a ressonância de campo aberto, pois estava morrendo de medo do exame. Aguardando para fazer já comecei a ficar fria, apavorada, já na sala me avisaram que, quando dessem o contraste, se sentisse qualquer mal estar, era para avisar imediatamente. Pronto, era o que faltava! Já na máquina, com a cabeça presa, começou o exame, ainda sem o contraste. Minha crise chegou, eu chorava sem conseguir conter, e pedi para me tirarem dela. Ainda me ofereceram fazer o exame sedada; ora, se o contraste dá reação, sedada como eu avisaria qualquer reação??? Sumi do laboratório. O problema é que até hoje fico com isso na cabeça, será que tenho algo, alguma doença que podia ter sido detectada no exame?

Depois de crises e pronto socorro não resolvendo, uma médica foi grossa, não me medicou (poderia ter me dado um ansiolítico, pelo menos), e me mandou procurar um psiquiatra.

Fiz um tratamento de seis meses, terminou. Mudei de cidade. Durante o tratamento tive algumas crises. Uma delas, na sala com três diretores da empresa em que trabalhava. Tive que interromper, informar que não estava me sentindo bem e pedir água. Imaginar a cena pode ser simples de fora, mas para mim, me senti a pior das criaturas. Os três me olhando e eu querendo sumir... nas crises sinto necessidade de sair do ambiente em que estou e ir para a casa. O gatilho: a temida persiana.

Nas crises sinto que vou morrer, enfartar, ter um AVC, um derrame, que minha vista vai escurecer, que vou desmaiar. Fico apertando os pés e as mãos de desespero. Sinto no rosto um calor, quase um formigamento, e nas mãos e nos pés. Primeira coisa que faço é beber água sem parar, grudo numa garrafinha de água, que me acompanha sempre que saio. Olho no espelho para ver se não estou pálida ou vermelha, roxa, sei lá...








  

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Acrescentando

Acrescentando, não sei se só comigo acontece isso, mas o que tem de gente achando que estou grávida, quando tenho alguma crise... no começo irrita, mas depois chega a  ser engraçado. E não adianta falar que estou com síndrome do pânico, em tratamento, tomando remédios, pois ouço "hum, não sei não".


O que me irrita mesmo é não levarem a sério essa doença que judia. Meu médico mesmo disse que o paciente sofre mais do que o que tem depressão. Eu sei que não desejo a ninguém nem 1% do que passo: medo de morrer (infarte, AVC, etc), de desmaiar, perder os sentidos, a vontade é de sair correndo de onde estou, bebendo água sempre (não sei por quê), e ligar para uma pessoa de confiança, que no meu caso é meu marido, pedindo que ele converse comigo.


É... não é fácil...

Motivo

Há tempos vinha me questionando sobre a minha essência, por exemplo, recuperar a leveza de quando era criança... a alegria de se divertir rolando na grama... gargalhar mais e por coisas mais simples, enfim.

Porém, há uns dois meses foi atropelada por uma antiga sombra: a síndrome do pânico. Já tinha sofrido, tratado e melhorado. Mas, a famigerada voltou mais forte, alimentada pelo desemprego, mudança de cidade, entre outros.

Quem realmente já teve, sabe como isso é um pesadelo. Digo "quem realmente já teve", pois quando passo mal, sempre tem alguém para dizer: "ah, mas eu também sinto isso", "é o calor", "fique calma"... A depressão é muito mais respeitada do que a síndrome do pânico. Tenho a impressão de que as pessoas a encaram como frescura, não aceitam.

A dificuldade em ser compreendida é grande, senti na pele. Prova disso é que todo comentam que tem ou tiveram depressão, o que não ocorre com a síndrome do pânico. Só encontrei relatos na internet, queria conversar com que sofre, ou já sofreu e se curou. Muitas vezes avisei: não me sinto bem, e fui tratada como estressada ou nervosa. Fui forçada a sair mesmo não estando bem, e passei mal na rua, tendo inclusive a que ser medicada em pronto socorro. Muitas vezes justifiquei que não faria um passeio porque não estava 100% e queria evitar uma crise e ouvi "que nada, você não vai passar mal".

Isso é uma tortura. O tratamento psiquiátrico está no começo, mas ainda tenho crises. E o comportamento dos outros influencia muito o tratamento. Meu marido está quase totalmente adaptado, sabe que se eu digo que não estou boa, tenho que sair do local onde estou, que não adianta me pedir para ter calma, porque isso não adianta. Me forçar a ficar é crise na certa.

Bom, pretendo, aos poucos relatar o que passo, e quem sabe isso possa ajudar alguém. Tentar dar leveza a uma situação difícil pode ajudar. E também mesclar com outros assuntos, é claro.